Como funciona o balão gástrico?

A função do balão gástrico é preencher parte da câmara gástrica e, por conseqüência, provocar saciedade precoce. Isso significa dizer que o paciente ficará satisfeito após comer uma quantidade muito pequena de comida.

Esse efeito de saciedade precoce permite ao paciente aderir a um programa de mudança comportamental, que compreende não somente uma reeducação alimentar, que deve ser acompanhada de perto por uma equipe multidisciplinar (nutricionista, endocrinologista e psicólogo), mas também uma atividade física orientada.
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Como é a colocação do balão gástrico?

O balão gástrico é introduzido no estômago do paciente através de endoscopia digestiva convencional.

O paciente recebe uma sedação venosa e dorme durante todo o procedimento.

O balão é introduzido pela boca desinsuflado. Quando atinge o estômago ele é insuflado com água.
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Qual a diferença entre o balão gástrico e a cirurgia bariátrica?

São duas formas de tratamento bem distintas, mas que às vezes, se complementam.

As cirurgias bariátricas diminuem o volume da cavidade gástrica e ainda “excluem” um pedaço de alça intestinal. Isso tem dois efeitos: saciedade precoce e disabsorção. Isto significa que, além de se sentir cheio com pouco alimento, esse alimento que passou pelo tubo digestivo não é completamente absorvido pelo corpo.

As cirurgias evoluíram muito nos últimos 5 anos, com novas técnicas menos agressivas e que resultam em menores taxas de complicação. Porém, ainda assim, são consideradas formas de tratamento extremamente invasivas para a obesidade. O bom resultado da cirurgia vai depender do tipo de procedimento cirúrgico escolhido, da saúde do paciente e de sua aderência ao tratamento, além da experiência do cirurgião. A vantagem desse tratamento é uma perda de peso acentuada, que corresponde a 30 - 40% do peso inicial. É comum o paciente achar que pode comer de tudo após a cirurgia e deixar de fazer atividade física ou mudar os hábitos de vida. Além disso, mesmo após a cirurgia, o corpo humano se adapta para compensar a falta de absorção e voltar a ganhar massa. O resultado disso é que o paciente volta a ter o peso elevado, às vezes próximo ao peso inicial.

O balão gástrico, ao contrário da cirurgia, não altera a anatomia do tubo digestivo. Como já foi dito, ele provoca apenas saciedade precoce, sem interferir na absorção dos alimentos. Por isso, o seu resultado depende muito mais da aderência do paciente ao tratamento. Ele permite uma perda de peso entre 10 a 20% do peso inicial. A vantagem principal do balão sobre a cirurgia eh a de que tem risco de complicações muito baixas.
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Quais as situações onde o balão gástrico está indicado?

No tratamento da obesidade em pacientes com IMC* (Índice de Massa Corporal) acima de 27, que não emagreceram após tratamento clínico medicamentoso bem orientado, doenças de risco (cardiovasculares, respiratórias, articulares...), tratamento pré-cirúrgico (pré-cirurgia bariátrica) em pacientes com superpeso (IMC maior ou igual a 50) ou com contra-indicações para a cirurgia, devido ao risco cirúrgico elevado.
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Quantos quilos eu posso perder com o balão gástrico?

Não há resposta exata a essa pergunta, pois a perda de peso só vai depender do paciente. A simples colocação do balão não provoca a perda de peso.

A presença do balão no estômago provoca uma redução brutal do apetite.

A partir daí cada um aproveita melhor essa situação como bem entender.

Nossa sugestão é que esse investimento seja aproveitado ao máximo, com o paciente aderindo a uma mudança comportamental em relação a alimentação e a atividade física. Se isso for levado a sério, a perda de peso pode ir além do previsto, que varia de 10 a 20% do peso inicial.
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Quais mudanças devo adotar na minha vida após a colocação do balão gástrico?

1) Alimentação: nas primeiras semanas após a colocação do balão gástrico, a sensação de saciedade precoce é muito intensa. Por isso, uma dieta especial deverá ser iniciada logo após o procedimento.

O nutrólogo e/ou o nutricionista deverão acompanhar todas as etapas dessa mudança alimentar até o final do tratamento.

2) Psicólogo: muitas são as vezes em que se subestima a importância desse profissional no processo de emagrecimento.

O acompanhamento com o psicólogo é fundamental para resolver ansiedades, angustias, fobias e compulsões. A restrição alimentar desperta esses “fantasmas” que podem atrapalhar o tratamento.

3) Atividade física: geneticamente, todos nós temos um nível de metabolismo basal.

Em algumas pessoas esse metabolismo é elevado, isto é, grande parte das calorias ingeridas são transformadas e “liberadas” sob a forma de calor e uma pequena parte delas acumuladas sob a forma de gorduras pelo corpo.

Por outro lado, quem possui um metabolismo basal baixo, libera pouco calor e acumula muita gordura corporal. Para perder peso, é necessário elevar o nosso metabolismo basal.

Uma maneira natural e muito saudável de fazer isso é praticar atividade física diariamente e aumentar a sua intensidade gradativamente. Para praticar essa atividade, um orientador de atividade física (personal trainer) é necessário, pois é muito freqüente ocorrer lesões em atletas iniciantes com peso elevado.
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Quanto tempo posso ficar com o balão gástrico?

Existem dois tipos de balão gástrico no mercado brasileiro:
* Silicone não ajustado que permanece por até 6 meses;
* Silicone ajustável que permanece por até 12 meses.
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Como é a retirada desse balão gástrico?

Após o período recomendado de acordo com o tipo de balao colocado, o paciente deverá procurar o seu médico para programar a retirada do balão gástrico.

É um procedimento semelhante a colocação. Realiza-se nova endoscopia sob sedação venosa e o exame dura cerca de 20 minutos.

O paciente dorme durante esse tempo e não deverá sentir nenhuma dor.
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Ouvi dizer que, após a retirada do balão gástrico, o apetite aumenta muito e o paciente volta a ganhar todo o peso que perdeu. Isso é verdade?

Não. Em qualquer tratamento para emagrecer, o paciente pode voltar a ter o peso inicial, basta ignorar a reeducação alimentar, não praticar qualquer atividade física e não procurar a ajuda dos especialistas.

Lembre-se de um conceito básico: a obesidade é uma doença crônica e deve ser acompanhada e vigiada permanentemente, assim como a hipertensão e tantas outras doenças. É uma ilusão as pessoas acharem que já emagreceram e então a “batalha já está ganha”. É aí que começa a verdadeira “batalha”: manter o peso. Isto é mais importante do que perdê-lo.

A própria cirurgia bariátrica é um bom exemplo disso. Quem pensa em fazer uma cirurgia para emagrecer e se esquece de manter uma vida saudável após a cirurgia, volta a ter o peso anterior. E o que é pior: com o estômago já operado e com poucas alternativas para outro método de emagrecimento. São inúmeros os casos de pacientes que caíram nessa “armadilha”: “posso fazer a cirurgia e depois comer o que quiser à vontade”. Ledo engano.

Com o balão gástrico não é diferente. Só depende de o paciente continuar com os hábitos que ele aprendeu a praticar durante o tratamento. Após a retirada do balão, não existe aquela coisa que muitos pensam: “Após retirar o balão, você vai aumentar muito o apetite e não vai conseguir sustentar o peso”. Isso não é verdade. Como já foi dito nesse texto, após 4 a 6 meses da permanência do balão no estômago, há um efeito de acomodação gástrica. Isso significa que, se o paciente quiser comer mais, ele consegue.

Mas ele não faz isso porque está seguindo um programa de tratamento. Ele também não sofre um aumento do apetite porque o seu corpo já se adaptou, lentamente, a ingerir aquela quantidade de calorias por dia.

O paciente pode até ter a certeza de que isso vai realmente acontecer e ficar com isso na cabeça. Ele começa a sentir mais fome porque o cérebro impõe esse comportamento que o paciente acha óbvio. Mas isso é apenas uma “pegadinha do cérebro”. Você tem tanta certeza de que vai sentir isso, e aí acaba sentindo. Por esse e por outros motivos já citados, o acompanhamento com o psicólogo é tão importante.
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Existem contra-indicações para colocação do balão gástrico?

Sim. São raras, mas existem. Apenas o médico especialista poderá listar as contra-indicações para a colocação de balões no estômago.

Durante a consulta, o médico vai identificar as situações nas quais o balão gástrico não poderá ser colocado. O médico também tem o dever de explicar quais são todas as alternativas de tratamento para a obesidade.
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